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Leis do UX.
HeurísticasClássicaWilliam Hick · 1952

Lei de Hick

Hick's Law

O takeaway

O tempo para decidir cresce com o número e a complexidade das opções disponíveis.

Explicação

Hick mediu, em 1952, quanto tempo alguém leva para escolher entre alternativas e encontrou uma relação logarítmica: o tempo de reação cresce com o logaritmo do número de opções, não em linha reta. Hyman generalizou o resultado no ano seguinte. A leitura prática é que dobrar as opções não dobra o custo de decidir — mas o custo sobe, e sobe de um jeito que o projetista raramente sente, porque ele já sabe onde clicar.

O detalhe que a fórmula esconde: ela vale para opções que a pessoa consegue comparar de uma vez. Um menu de vinte itens agrupados em quatro blocos não custa o mesmo que vinte itens soltos, porque a primeira decisão passa a ser entre quatro. Por isso agrupar quase sempre rende mais do que cortar — e cortar opção que o usuário precisa só empurra a decisão para outro lugar, normalmente o suporte.

No contexto brasileiro

A seção-assinatura do site: como a lei se comporta em produtos e serviços usados no Brasil.

  1. O primeiro menu da URA é definido por decreto

    O Decreto do SAC não deixa a hierarquia do menu para o fornecedor: o art. 5º, II exige que as opções de reclamação e de cancelamento estejam obrigatoriamente no primeiro menu do atendimento telefônico. O regulador leu o que a Lei de Hick descreve — o custo de decidir cresce com o número e a profundidade das opções — e concluiu que enterrar o cancelamento no quinto submenu é uma decisão de design, não um acidente.

  2. Escolher o tipo de chave antes de digitar a chave

    No fluxo padronizado do Pix, o pagador escolhe entre CPF/CNPJ, celular, e-mail e chave aleatória antes de informar o destinatário — quatro opções, mais a saída "Digitar agência e conta". O QR Code e o Pix Copia e Cola eliminam a decisão inteira: o destino já vem endereçado, e ao app cabe apenas oferecer o botão de copiar.

Aplicação prática

  • Agrupe antes de amputar: quatro grupos de cinco decidem mais rápido que vinte itens soltos.
  • Uma tela, uma decisão principal — as secundárias vão para o segundo nível.
  • Um caminho já conhecido dispensa a escolha: sugira o padrão em vez de listar tudo.

Leis relacionadas

Fontes

Hick, W. E. (1952). On the rate of gain of information. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 4(1), 11–26. O expoente logarítmico foi generalizado no ano seguinte por Hyman, R. (1953). Stimulus information as a determinant of reaction time. Journal of Experimental Psychology, 45(3), 188–196 (DOI: 10.1037/h0056940) — daí a lei também aparecer como "Hick–Hyman".

Referência BR: Senacon | Ministério da Justiça, Banco Central do Brasil

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