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Leis do UX.
HeurísticasClássicaLarry Tesler · 1984

Lei de Tesler

Conservation of Complexity

O takeaway

Todo sistema tem uma complexidade irredutível: o que o produto não absorve, sobra para o usuário.

Explicação

Larry Tesler formulou a lei por volta de 1984: toda aplicação tem uma quantidade de complexidade que não pode ser eliminada. A única pergunta é quem vai lidar com ela — o usuário, quem desenvolve a aplicação ou quem desenvolve a plataforma. Simplificar uma interface, nesse enquadramento, não é fazer complexidade sumir: é decidir para que lado ela vai.

É por isso que "deixar o usuário escolher" costuma ser a saída mais confortável e a mais cara. Cada opção que o produto não resolve vira uma decisão que alguém precisa tomar, geralmente sem contexto para tomá-la. O trabalho difícil é o oposto: assumir a decisão no código, escolher um padrão que serve para a maioria e deixar o desvio disponível para quem precisar.

No contexto brasileiro

A seção-assinatura do site: como a lei se comporta em produtos e serviços usados no Brasil.

  1. A complexidade não some — vira tela de limites

    O risco de fraude não desapareceu porque o pagamento ficou instantâneo. O Banco Central obriga cada participante a oferecer o menu "Meus Limites Pix", com limites por período diurno e noturno, por tipo de beneficiário e por conta cadastrada. Alguém precisa administrar essa complexidade: o regulador decidiu que uma parte fica com a instituição e a outra é entregue ao usuário — num lugar nomeado e obrigatório, em vez de escondida.

  2. Um teto para o trabalho que sobra

    O mesmo documento fixa que "as validações de segurança do Pix não devem gerar mais ações para os usuários do que aquelas que a instituição participante exige para outras formas de pagamento". O Decreto do SAC vai na mesma direção ao vedar "solicitar a repetição da demanda do consumidor após o seu registro no primeiro atendimento" (art. 10). Duas normas tratando custo de interação como custo real, e não como paciência infinita.

Aplicação prática

  • Toda pergunta ao usuário é complexidade transferida — só transfira quando ele decidir melhor.
  • Defina um padrão que serve para a maioria em vez de abrir uma escolha para todo mundo.
  • Se não dá para eliminar a etapa, deixe-a explícita e nomeada, em vez de escondida no fluxo.

Leis relacionadas

Fontes

Tesler, L. The Law of Conservation of Complexity — formulação original de cerca de 1984, registrada no site do autor: "toda aplicação tem uma quantidade inerente de complexidade irredutível. A única questão é: quem vai ter de lidar com ela — o usuário, o desenvolvedor da aplicação ou o desenvolvedor da plataforma?"

Referência BR: Banco Central do Brasil, Senacon | Ministério da Justiça

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